Compass estreia na B3: o IPO que encerra 5 anos de jejum na bolsa brasileira
Visão geral
A Compass, empresa de gás e energia controlada pela Cosan, estreou na B3 sob o ticker PASS3 em uma oferta pública inicial que pode movimentar até cerca de R$ 3,2 bilhões. O movimento ganhou destaque porque marca o primeiro IPO da bolsa brasileira em quase cinco anos, encerrando um dos períodos mais longos de seca para novas listagens no mercado local.
O que a Compass faz
A Compass atua no setor de gás e energia e é uma das principais plataformas privadas desse mercado no Brasil. Entre seus ativos mais relevantes está a participação na Comgás, além de presença em distribuidoras como Sulgás, Compagás, MS Gás e SCGás.
A empresa também opera o Terminal de Regaseificação de São Paulo, no Porto de Santos, estrutura estratégica para importação de gás natural liquefeito e abastecimento do mercado brasileiro. Segundo as informações publicadas na estreia, a Compass soma cerca de 3,1 milhões de clientes conectados, rede de aproximadamente 28 mil quilômetros e distribuição de 14,4 milhões de metros cúbicos de gás por dia.
Como foi o IPO
O preço por ação foi definido em R$ 28, no piso da faixa indicativa, que ia até R$ 35. Com isso, a operação movimenta cerca de R$ 2,82 bilhões na base e pode chegar a aproximadamente R$ 3,2 bilhões com ações adicionais.
A oferta foi estruturada como 100% secundária, o que significa que os recursos não entram no caixa da empresa, mas seguem para os acionistas vendedores. Na prática, esse detalhe é importante porque muda a leitura do mercado: não se trata de captação primária para financiar expansão imediata, e sim de uma transação de mercado com forte componente de reorganização societária e liquidez para os vendedores.
Por que esse IPO importa
O IPO da Compass importa porque funciona como termômetro para a reabertura do mercado de capitais brasileiro após um ciclo prolongado de juros altos e menor apetite por renda variável. O próprio noticiário econômico relaciona a seca de IPOs ao ambiente de Selic elevada, que tornou a renda fixa mais competitiva e reduziu o espaço para novas ofertas de ações.
Isso não significa, por si só, uma retomada ampla e imediata das aberturas de capital. Mas mostra que operações com escala, ativo conhecido e narrativa defensiva ainda conseguem acessar o mercado mesmo em um cenário mais seletivo.

